Oi gente, tudo bom? Hoje eu vim com uma crônica do livro Fala sério amiga da Thalita Rebouças. 
Eu estava fazendo minha prova de interpretação textual na escola quando me deparei que o texto era da Thalita e eu fiquei Happy :) Adorei o texto, e decidi compartilhar com vocês para dar umas boas risadas, e espero ter ido bem na prova rsrs.

Milagre de Natal

Era chegada a hora de ter uma conversa séria com a Alice. A situação estava insuportável.

− Ela não vai topar.

− Claro que vai, Duca.

− Ô, Malu… essas coisas doem!

− Mas eu tenho jeito pra falar, Nanda. Vocês sabem que sou ternura − disse, zero-modesta.

Assim que Alice chegou ao shopping, respirei fundo e pedi pra ela o que a humanidade queria pedir há muito tempo, mas não tinha coragem.

Reagiu bem não.

− Pirou?! Nunca vou fazer isso! – ela irritou-se.

− Por quê?

− Porque dói. E porque eu não preciso!

− Ah, precisa, sim! − eu disse.

− Não preciso, vocês estão exagerando.

− Não estamos. Dá pra ver a três metros de distância − ajudou- me Duca.

− Três quilômetros − exagerei.

− Vocês estão loucas! Eu não vejo nada! – Alice defendeu-se.

− Ah, então está precisando de óculos. Ou de um espelho novo − argumentou Nanda.

− Sua mãe chegou a reclamar com a minha manicure − contei.

− Fala sério, Malu! − chiou Alice.

− Tô falando. Você tá muito bigoduda, mais bigoduda que o Juvenal.

− O padeiro? Ele não tem bigode, tem uma taturana em cima da boca! − reclamou.

− Pois é, mas ele é homem, pode ter bigode. Não devia, mas pode. Você, que é mulher, não pode, nunca, nunca… ter bigode!

É bizarro! − expliquei, cheia de tato.

− E uma ida à depiladora acaba com isso em dez minutos.

− E se eu morrer? Se tiver uma parada cardíaca com o susto da puxada da cera?

− Ninguém morre na depilação!

− Posso ser a primeira, Duca.

− Vamos escrever na sua lápide: “Alice, amiga do coração, morreu por depilação'” − zoei.

− Eu não me acho bigoduda.

− Há quanto tempo você não beija?

− Perdi a conta, Malu.

− Pois é, meninos têm medo de mulher bigoduda. É por isso que você não beija! − fui sincera.

− Vamos perguntar a opinião do Papai Noel? Papai Noel não mente. E tem um logo ali.
− Nanda, a gente não tem 7 anos − irritei-me.

− Mas Papai Noel não mente mesmo. Nem os de shopping − completou Duca. − Aposto que se a gente for lá e perguntar.

− Surtaram? Vamos tirar o Papai Noel dessa história! Foco, por favor! – reclamei do diálogo insano.

− Você tá certa, Nanda. Eu não ia suportar ouvir do Papai Noel que preciso depilar − disse Alice, me deixando pasma. − Vamos pro salão. Vocês seguram minha mão?

Pensei que ela estivesse brincando, mas nunca a vi falar tão sério. E, assim, depois de ouvir mil argumentos lógicos, Alice cedeu ao medo de ouvir do Papai Noel que (“Sim, houhou- hou…”) ela estava bigoduda.


Fomos pro salão, e ela se comportou muito bem: gritou, sim. Mas não morreu. E passou o Natal e o Ano Novo ainda mais linda, sem nenhum pelinho pra contar essa história maluca. Foi um desses milagres natalinos.

Espero que vocês tenham gostado! Beijinhos e até a próxima!!


                                                  Paula

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